Silenciosos
Gritos
Sempre nos encontrávamos em seus sonhos, lá,
escondido, bem no fundo de sua mente eu esperava pacientemente pelos dias em
que eu poderia finalmente me revelar.
Posso ouvir às melodias tocadas por seus
dedos, posso sentir o seu desejo pela profanidade de meu sadismo, deixe-me
entrar, Lenóry.
– Onde estou? Como vim parar aqui?
– Seja bem vinda! Você está em Harpe! Eu sou
Sadness.
– Entendo! Você poderia me dizer por que não
está visível para mim.
– Estou visível para você, você que não quer
me ver.
– Como assim?
– Harpe é apenas uma sala sem fim, um mundo
secreto que existe dentro de você e de cada pessoa que ainda não descobriu algo
que é fundamental para sua vida, sua felicidade e seu bem estar. Sua Harpe tem
o chão e algumas paredes cobertas por mármore negro, quando você olha para
frente ou para trás tudo que você ver é uma escuridão infinita, eu sou tudo
aquilo que você pode ver e tocar... Essa é a minha segunda forma, no momento é
assim que você me ver. Quando você realmente quiser enxergar a
minha verdadeira essência, eu aparecerei como um homem qualquer, mas isso depende de você, de seu desejo e vontade.
– Que tipo de desejo?
– Desejo de ser descoberta e de viver!
– Acho que entendo.
– Sei que entende! Se você olhar para trás
vai ver um piano, quero que você toque uma de suas músicas. Assim que você
tocar a primeira nota, eu começarei a compor minha arte em ti. Por algum tempo
observarei e caso o sua entrega e comprometimento sejam verdadeiros e real eu a
convidarei para ficar definitivamente.
– E se a entrega e comprometimento não forem verdadeiros?
– Sendo assim eu desaparecerei e Harpe
voltará para o lado mais obscuro e isolado de sua essência e ficará isolada em
um mar de trevas até que encontre o seu verdadeiro compositor.
“As luminárias
preenchem o ar e finalmente as melodias começam a dançar no silencio de um
mundo triste e lúgubre.”
– Eu nunca mais vou sair daqui, né!?
– Pode voltar para seu mundo quando quiser.
– Então eu sou livre!?
– Você ainda não é livre! Toque uma música
para mim.
Por duas semanas ele ficou lá ouvindo cada
nota que era tocada por Lenóry. Sadness explicou todos os aspectos e cada um de
seus objetivos. Cada dúvida que surgia na mente e no coração de Lenóry pode ser
perfeitamente esclarecida.
Logo quando à primeira nota do piano foi
tocada um crepúsculo sombrio se formou e sete telas negras apareceram no céu de
Harpe. Por longos quarenta minutos os dedos delicados de, Lenóry, tocaram às
teclas daquele instrumento.
– Pare de tocar.
– Sim, Senhor!
– Fique de pé e tire tudo que possa cobrir
seu corpo.
– Sim, Senhor!
Lenóry tirou cada uma de suas peças de roupa
e calçados.
– Volte a tocar e não importa oque você
sinta, não pare até que eu ordene.
Sadness se sentou atrás de sua pequena obra e
a vendou com um lenço branco.
– Finalmente darei vida à minha última obra.
Logo um par de mãos, vestidas por luvas
negras, começaram a acariciar os seios da mulher. Enquanto, Sadness, sussurrava
no ouvido direito de Lenóry, ela pode sentir algo sendo presos no bico de seus
seios, um leve e delicado gemido de dor pode ser ouvido.
– Continue tocando, não deixe que nada
atrapalhe à sua concentração.
Ela continuou tocando, seu corpo estava imóvel,
apenas seus dedos e seus braços se moviam.
– Afaste suas penas uma da outra.
Logo, Lenóry começou a sentir seu sexo sendo
dedilhado. Os dedos de seu senhor que estavam completamente encharcados foram
introduzidos na boca da pequena serva. Era à primeira vez que aquela mulher
sentia o gosto de seu sexo, de seu prazer.
Aqueles que
são dignos de ter aos seus cuidados, tão belo instrumento, podem ser capazes de
fazer com que o instrumento se torne de uma beleza única e perfeita.
– Acho que suas melodias vão ficar melhores
se forem acompanhadas pelo dedilhar delicado de uma harpa.
Der repente se pode ouvir um som único e
profundamente belo, o dedilhar era capaz de penetrar na mais profunda das almas
e toca-lá de uma maneira perfeitamente sublime.
– Por seus olhos estarem vendados você, não
pode ver, mas à sua frente está sentada, Nayha. Ela está ao meu lado a mais de
trezentos anos. Ao longo desses anos seu corpo foi tocado por mim. Não existe
uma donzela que tenha dentro de si tamanho amor e devoção, como o que existe na
minha pequena harpista.
– Amo-te, meu senhor. Não existe honra maior do
que está aos seus pés, servindo, como mulher, submissa, escrava, cadela, puta e
harpista, que sou.
Nayha era bela como nenhuma outra mulher foi
seus cabelos eram longos e negros como a mais escura noite.
Não era possível ver seus olhos que estavam
cobertos por um lenço preto, seu corpo completamente despido era quase que
perfeito, os pequenos hematomas em seus seios e as longas marcas de açoites em
suas pernas, bunda e costas tornavam à visão, mais agradável.
Sadness parecia embriagado com tão belas
melodias, melodias que despertaram nele o desejo de criar no corpo de, Lenóry.
Logo ele pegou no chão um pequeno baú de madeira que em seu interior tinha
várias agulhas.
– Não se assuste e não faça movimentos
bruscos.
Uma a uma, as agulhas foram introduzidas nas
costas de, Lenóry. Assim que terminou, Sadness pegou uma vela de cor negra que
estava no chão e acendeu.
– Isso vai doer, mas não importa o tamanho da
dor, não pare de tocar, mesmo que toque às notas erradas, não pare.
A respiração da pequena menina ficou ofegante
e antes mesmo do terceiro pingo, já se podia ouvir urros, todos os dedos e a
palma de cada mão tocavam as teclas do piano, mas mesmo fora de seu ritmo e
mesmo com melodias distorcidas, o som ainda era agradável. Depois de longos
cinquenta e cinco segundos os pingos cessaram e mesmo batendo com força nas
teclas do piano, não se podia mais ouvir o som. O primeiro ato estava completo,
Sadness finalizou sua obra com uma pequena e fina fita de cetim, ele entrelaçou
a fita entre às agulhas e ao finalizar sua obra, ela desapareceu.
Um dos sete espelhos finalmente ganhou cores
e a primeira imagem que se viu foi, Lenóry, sendo torturada com as velas. A
imagem dentro do espelho parecia um filme que se repetia sem parar.
Continua...
SirLV
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